Camylla Ribeiro

Prepare-se
Vista seu vestido mais bonito
Use a manta do infinito
Está pronta?
A valsa vai começar

Adentre o salão
A música está a tocar
Dê-me sua mão
Vamos agora dançar

Vejo um rosto
Está radiante
Vejo o piano
Ali adiante

Você os vê querida?
Você consegue sentir?
Sim?
Então continuemos

Reluzimos
Dê-me teu coração
Despimo-nos
Bem-vinda à valsa da perversão
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Estou sentada à minha mesa, ouço mais uma enfadonha aula de inglês, enquanto aguardo que meus companheiros finalizem os deveres. Na verdade, não confiro muita aplicação a essa aula. É um pouco entediante. Acho que é perceptível pelo que escrevo na ocasião. A grande dificuldade é que, dessa vez, não tenho contexto para distrair-vos em palavras difíceis.
Agora estamos na aula de religião, mais uma importuna aula. Tivemos um pequeno debate sobreo já bem debatido problema (ou solução) de desligar os aparelhos vitais de um enfermo terminal. E você? Tem uma opinião formada? Já passou por algo assim? A Eutanásia é uma decisão difícil. Você mataria sua mãe? Não? E a deixaria sofrer em uma doença eu terminal? Repense seus conceitos. Seria egoísmo mata-la? Estaríamos apenas tentando descansar? Seria egoísmo deixa-la viver? Estaríamos apenas tentando prende-la ao nosso lado? E então? Qual seria sua decisão?
Você pode tentar decidir algo ou apenas recriminar-me por levantar o tema, mas a grande verdade é que você só poderá decidir quando se deparar com essa situação, com esse ponto sem retorno.
Melhor pedir para não saber decidir. É complicado. Às vezes é melhor não saber, prender-se na ignorância. De que vale essa inteligência se é acompanhada por dor?
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Minha droga
Minha alucinação
À sobriedade
Doce alusão

Hoje
Eu não quero realidade
Hoje
Eu quero ebriedade

Agora
Eu quero sonhar
E com as asas da fantasia
Quero somente voar

Quero esquecer
Na loucura cair
Quero me perder
E do mundo fugir

Nos braços da quimera
Quero me aninhar
No calor da paixão
Quero agora me esquentar

Perder-me na incerteza
Saltar no vão da ilusão
E no cabal da luxuria
Entregar-me à sedução

Meu extasy eu peço
Meu pecado é o querer?
Então me condena agora
Porque eu quero você
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Estou sentada no meu cômodo divã, assistindo na TV mais um insigne relato sobre os homicídios seqüenciais mais afamados do mundo. O monstro de Gênova, Monsalve, O açougueiro de Rostov, Javed Iqbal, O palhaço assassino, Rosemary West, Jack o estripador. Essas alcunhas são conhecidas não? Conjeturo que sim. Você já parou pra refletir na impassibilidade desses homicidas ao violentarem, estrangularem, esfolarem, dilacerarem ou puramente assassinarem a cada uma de suas vitimas? Vendo os olhos dos imaculados não tão imaculados assim, ouvindo suas vozes obsecrarem. Essa vitima jura ser inocente, o assassino jura ser inocente, mas quem é inocente hoje? Uma criança pode nascer com uma enfermidade venérea, muitos dizem que um nasce com a historia que habitou na vida anterior. Inocência? Isso existe? Isso é um animal raro em extinção. Se inocência não existe, pelo que esses assassinos são condenados? E pelo que eles condenam?
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"Asomaba a sus ojos una lágrima
y a mi labio una frase de perdón;
habló el orgullo y se enjugó su llanto,
y la frase en mis labios expiró.

Yo voy por un camino; ella, por otro;
pero, al pensar en nuestro mutuo amor,
yo digo aún: —¿Por qué callé aquel día?
Y ella dirá: —¿Por qué no lloré yo?"

Gustavo Adolfo Bécquer

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Sabe, é meio bizarra a comiseração humana de tentar compreender outra pessoa, quando nem mesmo entende a si mesma. Você tenta me entender. O que tento dizer nessas sintaxes estranhas e discordantes? O que tento te expor? O que estou tentando pregar?

Você finge entender, finge saber o que digo, entre minhas palavras pulcras e rebuscadas. Sim carinho? Você realmente entende? Então profira o que quero pronunciar, pois eu não me entendo, não sei o que quero articular, o que tenho que contar. Contudo eu sei que é algo, ou não?Por que exclusivamente te narro termos rebuscados? Eu tento dissimular meus válidos cálices sob minha inventiva agudeza?

Você agora olha para essas palavras congregadas em um aleivoso escrito e pensa: que frivolidades infantis, que infantilidades frívolas, só mais uma perca de tempo.

Eu perco tempo escrevendo, você perde tempo lendo e fingindo ignorar. Somos prósperos em nossas existências, ou não? Você é ditoso fingindo ignorar os que você na verdade menoscaba? Eu sou feliz na minha vida? Você acha que eu sou feliz se estou aqui escrevendo?

Porque minhas inquires não silenciam? Porque elas não cessam de indagar o que ninguém sabe contestar?
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Apresento-me, sou Ars Amandi. Vocês me encontrarão com certa freqüência por aqui, sou apenas mais uma alma mundana e venho para narrar algumas historias que podeis ver atraentes e com certo sentido burlesco. Em alguns momentos posso me deter em temas horacianos, pode ser chato e um pouco enfadonho, eu prometo que não vou ser simples. Minha escrita segue os conceitos de Góngora, espero não ser tão pratica, tenho meus segredos e não gosto que eles sejam facilmente desvendados. Vamos brincar?


Em uma noite longa
Um solstício de inverno
Libertamos os prazeres
De nosso amor eterno


Reluzia impetuosa
Entre sonhos mil
Voando imperiosa
Cruzando o céu anil


Ela, cruel,
Sobre uma cama de cetim,
Manchava os lençóis,
Com o tom carmim.


Nossos corpos engalfinhados
Corados com o calor
O prazer suado
Desvendando o amor


Imaginação a planar
Elevada pelo ar
Mente a flutuar
Na nossa perversão de amar


É perfeita e imperfeita.
É sagrada, é profana.
É divina e diabólica.
É Sã, é Insana.

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